• Natália Vinhas

VAMOS FALAR SOBRE DEPENDÊNCIA EMOCIONAL?


“Ela é bonita, inteligente, mas não consegue ser feliz sozinha. Está em um relacionamento destrutivo, faz de tudo pelo parceiro, se anula, se esgota por ele, mendiga atos de amor por parte dele. Não acredita em suas próprias capacidades, precisa da constante aprovação do companheiro e das outras pessoas, é insegura, sente ciúmes excessivamente, tem medo de ser abandonada e por isso se molda conforme a vontade alheia, se esquecendo completamente daquilo que ela realmente é. Quando seu relacionamento chega ao fim, tudo parece ser uma tempestade horrível! Passa pela fase do sofrimento quase insuportável, decide que “agora tudo será diferente” e por não acreditar em seu próprio valor, logo estará de novo envolvida com promessas de amor vagas, carícias e demonstrações de afeto não muito duradouras. Algo que, agora sim, parece ser a chave de sua felicidade, mas na verdade está em uma nova prisão. ”

O amor é um sentimento que permeia as relações humanas, frases como “eu não vivo sem você”, “você é tudo para mim”, “não sou nada sem você” são muito comuns de serem ouvidas seja de amigos, vizinhos, familiares e sim, nós mesmos falamos a pessoa amada. No senso comum, de um amor perfeito, a dependência é a maior prova de amor, não é?!

Ok, ninguém é totalmente independente, sempre tem um outro, ao seu lado, que antes de qualquer coisa você precisa estar atento ao tomar alguma decisão. Para estarmos aonde estamos fomos sim dependentes dos cuidados de nossos pais, e de toda rede de apoio que nos cercaram e ainda cercam.

Então, entendido, a total e mais completa autonomia não passa de uma ilusão, porém algumas dependências são prejudiciais a nós mesmos e podem ser evitadas.

Mas, afinal o que vem a ser a dependência emocional?

É um transtorno psicológico onde uma pessoa sente a necessidade de uma outra pessoa para viver.

O Manual Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais, DSM- 5 relata um transtorno que se refere a isto que estamos falando: Transtorno de Personalidade Dependente.

A pessoa sente uma necessidade excessiva de ser cuidado, levando a comportamento de submissão, apego e a temores de uma separação. A autopercepção de quem passa por este transtorno é de não ser capaz de funcionar adequadamente sem a ajuda de outro.

As mulheres são as que mais recebem o diagnóstico deste transtorno, porém ambos os sexos podem passar por este problema.

Pessoas que sofrem com a dependência emocional não sabem como agir sozinhos, não se sentem felizes. De modo geral, são submissas, com dificuldades de tomar decisões em seus relacionamentos, sentem-se responsáveis por todos os acontecimentos. Seu foco é centrado completamente em sua relação. Tendem a prestar cuidados excessivos ao outro e resolver os seus problemas, mesmo que isso implique em se auto negligenciar, não se colocam como prioridade em sua própria vida.

Quem sofre desta condição tendem a ter um cuidado excessivo com o companheiro, a felicidade é focada nesta única pessoa, se não estiver acompanhada do parceiro evitam sair para se divertir.

Possuem baixa autoestima, esperam sempre a avaliação positiva do parceiro para se sentirem bem, tem sentimentos de culpa por sentir-se na obrigação de fazer o outro feliz. Seus sonhos e desejos acabam sendo reprimidos com o passar do tempo. Para não contradizer e diante da possibilidade de perda da pessoa amada, não defendem a sua própria opinião.

Excesso de ciúmes são frequentes. Devido o medo do abandono, acabam por sufocar o parceiro. Experimentam a sensação de vazio e impotência pela falta de amor do companheiro. A pessoa nega sentimentos na esperança de que um dia tudo ficará bem.

A oscilação no humor também é muito frequente. Ora sente-se feliz no relacionamento e em outro momento passa a odiar, gerando discussão e vitimismo.

Mas, o que pode desencadear a dependência emocional?

A maneira como uma criança é criada e educada gera toda a diferença em seu comportamento futuramente.

Uma fragilidade adquirida ainda na infância pode muito estar relacionado a este tipo de transtorno.

Um ambiente familiar com muitos conflitos, excesso de regras, punições, falta de amparo, segurança, carinho e amor podem causar a ampla dependência afetiva. Esta pessoa pode vir a procurar por quem preencha essa carência e insegurança na fase adulta da vida.

Cuidados em excesso sem a imposição de limites quando preciso, pode formar também um adulto muito dependente em ser o centro das atenções, exige ter tratamento especiais e exclusividades, a pessoa acaba ficando desprovida de confiança, condição de julgar e de fazer escolhas por si só.

Inconscientemente ela adquire o desejo de buscar o que lhe faltou na infância como forma de compensação para completar a vida quando chega na fase adulta, fase onde se desenvolve o transtorno dependente.

Se você se identificou com este transtorno fica a dica de como se tornar menos dependente.

- Um trabalho com sua autoestima é relevante e urgente. Reconheça que você tem valor, somente com este movimento de resgate de autoestima é que você saberá reconhecer o que realmente te faz feliz, o que vale a pena e o que é excessivo na sua vida e na sua relação.

- Divida seu dia com mais pessoas, não foque somente nele. Saia mais sozinha. Divirta-se!

- Você precisa desenvolver mais seu autocontrole. Ter uma auto consciência e saber lidar com seu sentimentos é de grande valia.

- Não dependa do seu parceiro, programe seu dia de acordo com aquilo que tem vontade de fazer, sem depender dele.

- Estar só não é problema, um momento somente seu, com foco no seu próprio bem estar é indispensável.

- Liberte-se de pensamentos destrutivos.


Em um relacionamento é importante respeitar a individualidade de cada um. Se apegar ao outro para viver não é nada saudável.

Reconheça que você tem problema, procure um psicólogo, destine um momento para você trabalhar suas questões, para se fortalecer como indivíduo. Com a devido atenção a você mesmo o crescimento pessoal virá e com isso a possibilidade de um relacionamento estável e feliz.


Natália Vinhas - CRP 12/12182

Psicóloga Online

Especialista em Psicologia Hospitalar e Obesidade - USP

Colunista Inovamente Psicologia e Psiconectado

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